O Movimento

Microplástico é o Fim da Linha é um movimento de conscientização e mobilização que busca ampliar o conhecimento sobre a presença de microplásticos no nosso dia a dia, especialmente aqueles liberados por roupas de fibras sintéticas, e estimular escolhas mais conscientes.
Microplásticos já estão presentes no ambiente e em diferentes vias de exposição humana, enquanto a ciência continua investigando os efeitos de longo prazo dessa exposição. É um problema que nos convida a olhar para o presente, cuidando da nossa saúde, e para o futuro, cuidando do meio ambiente.
Por isso, nossas escolhas importam. O movimento propõe conhecer melhor os materiais que usamos, priorizar fibras naturais, sempre que possível, e repensar nossos hábitos de consumo. Pequenas mudanças podem contribuir para reduzir fontes evitáveis de microplásticos e construir uma relação mais consciente com aquilo que vestimos. Porque cuidar do que está ao nosso redor hoje também é cuidar da saúde e do ambiente que queremos para o futuro.
Afinal, o que são microplásticos?
Fragmentos muito pequenos de plástico, com 5 milímetros de diâmetro ou menos, os microplásticos hoje representam uma preocupação ambiental e de saúde, pois estão presentes em diferentes ecossistemas, na cadeia alimentar e, como já demonstram diversos estudos, também no organismo humano.
O que a sua roupa deixa para trás?
A exposição aos microplásticos não vem de uma única fonte. Eles podem estar presentes na água, nos alimentos e no ar que respiramos, como resultado da degradação de diferentes produtos e materiais plásticos presentes no nosso cotidiano. As fibras sintéticas, como o poliéster, são uma dessas fontes e, ao se desprenderem dos tecidos, contribuem para a poluição ambiental e para a exposição humana a essas partículas.
Produzidos a partir do petróleo, os tecidos sintéticos — principalmente o poliéster, seguido pela poliamida, nylon e acrílico — estão associados a aproximadamente 35% da poluição primária por microplásticos que chega aos oceanos. Ao longo de seu ciclo de vida, especialmente pelo desgaste e durante as lavagens, pequenas fibras podem se espalhar pela poeira doméstica, pelo ar e pela água. Parte delas segue pelo sistema de esgoto, alcança rios e oceanos e contribui para a presença dessas partículas nos ecossistemas aquáticos e na cadeia alimentar, ampliando as possibilidades de exposição e seus potenciais impactos à saúde.

CONTADOR ESTIMATIVO
DE INGESTÃO DE
MICROPLÁSTICOS POR DIA* 

0.6098226
g
de partículas ingeridas por hora
0.01458453
g
de partículas ingeridas por minuto
0.0001996506
g
de partículas ingeridas por segundo
*Estima-se que cada pessoa pode ingerir aproximadamente 5 g de plástico por semana, o equivalente a cerca de 0,7 g por dia. O contador apresenta uma projeção matemática para fins de conscientização, baseada nessa estimativa de ingestão, que foi publicada em estudo da Universidade de Newcastle para a WWF, em 2019. O contador não mede a ingestão individual nem a quantidade de microplásticos presente no organismo. Consulte a fact sheet para entender o cálculo.
Partículas de plástico ingeridas por pessoa em 2026* :
*A partir de 1/1/2026
ISSO EQUIVALE A:
An empty 500 ml plastic bottle weighs approximately 10 g*
An empty 500 ml plastic bottle weighs approximately 10 g*
A disposable plastic cup weighs approximately 2 g*
A disposable plastic cup weighs approximately 2 g*
A supermarket plastic bag weighs approximately 5 g*
A supermarket plastic bag weighs approximately 5 g*
A small LEGO piece can weigh approximately 3 g*
A small LEGO piece can weigh approximately 3 g*
A bank card weighs approximately 5 g*
A bank card weighs approximately 5 g*
Um cartão bancário pesa aproximadamente 5 g*
Um cartão bancário pesa aproximadamente 5 g*
Uma garrafinha plástica de 500 ml pesa aproximadamente 10 g*
Uma garrafinha plástica de 500 ml pesa aproximadamente 10 g*
Um copo plástico descartável de 200 ml pesa aproximadamente 2 g*
Um copo plástico descartável de 200 ml pesa aproximadamente 2 g*
Uma sacola plástica de supermercado pesa aproximadamente 5 g*
Uma sacola plástica de supermercado pesa aproximadamente 5 g*
Uma peça pequena de LEGO pesa aproximadamente 3 g*
Uma peça pequena de LEGO pesa aproximadamente 3 g*
Um cartão bancário pesa aproximadamente 5 g*
Um cartão bancário pesa aproximadamente 5 g*
*Estimativa média do peso de cada item, sujeita a variações conforme material, tamanho, modelo e marca, com base em referências e normas técnicas.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

Human exposure to PM10 microplastics in indoor air.
YAKOVENKO, Nadiia; PÉREZ-SERRANO, Lucía; SEGUR, Théo; HAGELSKJAER, Oskar; MARGENAT, Henar; LE ROUX, Gaël; SONKE, Jeroen E. Human exposure to PM10 microplastics in indoor air. PLOS ONE, v. 20, n. 7, e0328011, 2025. Publicado em 30 de julho de 2025. DOI: 10.1371/journal.pone.0328011 (https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0328011) 
O estudo mostrou que o ar que respiramos também é uma importante fonte de exposição a microplásticos, especialmente em ambientes internos, onde passamos grande parte do tempo. Ao analisar partículas inaláveis de 1 a 10 µm, a pesquisa estimou que um adulto pode inalar cerca de 68 mil partículas de microplástico por dia em ambientes internos — uma exposição 100 vezes maior do que estimativas anteriores. Os resultados indicam que a inalação pode ser uma rota de exposição subestimada, ampliando a preocupação para além da ingestão de microplásticos por alimentos e água.
Microplastics and Nanoplastics in Atheromas and Cardiovascular Events.
MARFELLA, R.; PRATTICHIZZO, F.; SARDU, C.; et al. Microplastics and Nanoplastics in Atheromas and Cardiovascular Events. New England Journal of Medicine, 2024. DOI: 10.1056/NEJMoa2309822. (https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa2309822) 
O estudo observacional multicêntrico investigou a presença de microplásticos e nanoplásticos (MNPs) em placas de gordura das artérias carótidas de 304 pacientes submetidos a cirurgia. Entre os 257 acompanhados por cerca de 34 meses, 58,4% apresentavam polietileno nas placas e 12,1% também tinham PVC. Aqueles que apresentavam essas partículas tiveram maior incidência de infarto, AVC ou morte durante o período, apontando uma possível associação entre a presença de MNPs e eventos cardiovasculares.
Microplastics in the Olfactory Bulb of the Human Brain.
AMATO-LOURENÇO, L. F.; DANTAS, K. C.; JÚNIOR, G. R.; et al. Microplastics in the Olfactory Bulb of the Human Brain. JAMA Network Open, v. 7, n. 9, e2440018, 2024. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2024.40018. (https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2823787) 
O estudo liderado por pesquisadores da FMUSP identificou fibras e partículas de microplásticos no bulbo olfatório de 8 das 15 pessoas analisadas em autópsias. Os resultados sugerem que a via inalatória pode ser uma rota de entrada dessas partículas no cérebro e reforçam a necessidade de investigar seus possíveis efeitos. O polipropileno, usado em roupas, embalagens e garrafas, foi o plástico mais encontrado.
Primary Microplastics in the Oceans: A Global Evaluation of Sources.
BOUCHER, J.; FRIOT, D. Primary Microplastics in the Oceans: A Global Evaluation of Sources. Gland: IUCN, 2017. DOI: 10.2305/IUCN.CH.2017.01.en.  (https://iucn.org/resources/publication/primary-microplastics-oceans) 
O relatório da IUCN investiga de onde vêm os microplásticos primários que chegam aos oceanos e quantifica, pela primeira vez, sua contribuição para a poluição marinha. O estudo identifica fontes relevantes, como o desgaste de pneus, as fibras sintéticas liberadas na lavagem de roupas e partículas provenientes de revestimentos, mostrando que a poluição por microplásticos está presente no cotidiano, ligada a diferentes atividades e cadeias produtivas, e pode afetar ecossistemas marinhos e atividades econômicas.
Estimation of the mass of microplastics ingested: A pivotal first step towards human health risk assessment.
SENATHIRAJAH, K.; ATTWOOD, S.; BHAGWAT, G.; et al. Estimation of the mass of microplastics ingested: A pivotal first step towards human health risk assessment. Journal of Hazardous Materials, v. 404, 2021. DOI: 10.1016/j.jhazmat.2020.124004.  (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33130380/)  
O artigo aprofunda e revisa a estimativa da massa de microplásticos ingerida por seres humanos, utilizando dados disponíveis sobre diferentes alimentos, bebidas e outras fontes de exposição. Seu principal objetivo é estabelecer uma base quantitativa para futuras avaliações de risco à saúde, ressaltando que ainda existem grandes variações e lacunas nos dados. É uma referência importante para entender como se chega às estimativas de ingestão.
No Plastic in Nature: Assessing Plastic Ingestion From Nature to People.
WWF. No Plastic in Nature: Assessing Plastic Ingestion From Nature to People. Junho de 2019.  (https://yourplasticdiet.org/files/downloads/plastic_ingestion_press_singles.pdf) 
O estudo encomendado pelo WWF reúne pesquisas existentes para estimar quanto plástico pode entrar no organismo humano por meio de alimentos, bebidas e água. O estudo chegou a estimativa de que uma pessoa poderia ingerir, em média, cerca de 5 gramas de plástico por semana. O relatório ajudou a dimensionar a presença dos microplásticos na cadeia alimentar e a transformar um problema ambiental em uma questão também relacionada à exposição humana.

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